segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

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Podia escrever o teu nome num vidro embaciado ou
segredá-lo a uma borboleta negra.

Podia cortar os pulsos e deixar o sangue correr até que
o mar ficasse vermelho.

Ou beijar-te os pés. Mas esse gesto está reservado
Desde o princípio dos séculos e teria o sabor de uma profanação.

Jorge de Sousa Braga

sábado, 10 de dezembro de 2011

Tenho uma folha branca







Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:

mudo convite

tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:

mudo convite

tenho uma vida branca
e limpa à minha espera.



Ana Cristina César nasceu em 2 de Junho de 1952, no Rio de Janeiro. Suicidou-se no dia 29 de outubro de 1983.