segunda-feira, 9 de julho de 2012

POEMA FORA DE PRAZO






Tinha no frigorífico sete palavras capitais
à espera de um dia de míngua:
mãe, mulher, sonho e respiração,
uma certa medida de sal e liberdade
e ainda não foi para morrer que nós nascemos
(em memória de Jorge de Sena).
E ao lado uma reserva de Mallarmé.


Por baixo do código de barras
dizia para manter tudo em lugar fresco.



(.....................................)
Agora que tanta falta me fazia
o poema ultrapassou o prazo de validade.
De qualquer modo de nada me valia:
há muito tempo que não pago a conta
da electricidade.



ANTERO DE ALDA

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