sábado, 24 de janeiro de 2009

NATURALEZA ORIGINARIA





El pequeño lago transparente
de cristalinas aguas.
Refleja las blancas nubes
y el azul del cielo.
Interrogado el lago
por la pureza de sus aguas respondió:
Renovándome constantemente
conservo la Naturaleza Originaria.

Chu-Shi
Poeta Chino
Dinastía Sung

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

poesia budista



Prefiero poemas
que son
pequeñas visiones budistas
momentos de conciencia
textos, que suben rápido
a la mente

saco la puntuación
y llego
al Nirvana


Robert Gurney
-St. Albans, Inglaterra-


Do livro" El cuarto oscuro y otros poemas"
(febrero, 2008)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

omar khayam (Pérsia,1048 a 1131)



Na Primavera, gosto de me sentar na orla de um campo florido.
E, quando uma bela rapariga me traz uma taça de vinho,
não me importa nada a minha salvação.
Se eu tivesse essa preocupação, valeria menos que um cão.

Ninguém pode compreender o que é misterioso.
Ninguém é capaz de ver o que ocultam as aparências.
As nossas moradas são provisórias, excepto a última: a terra.
Bebe vinho! Basta de palavras supérfluas.

A tua vida não terá sido inútil,
se tiveres enxertado no teu coração a rosa do Amor
ou se tiveres procurado ouvir a voz de Alá
ou ainda se tiveres empunhado a tua taça sorrindo ao prazer.

Dizem-me:«Não bebas mais, Khayyam!»
Eu respondo: Quando bebo, ouço o que me dizem as rosas, as túlipas e os jasmins.
Escuto mesmo aquilo que não pode dizer-me a minha bem-amada.

Retóricos e silenciosos sábios morreram
sem terem podido entender-se sobre o ser e o não ser.
Ignorantes, meus irmãos, continuemos a saborear o sumo dos cachos
e deixemos esses grandes homens regalarem-se de uva-passas.

Senta-te e bebe. Gozarás de uma felicidade que Mahmud nunca conheceu.
Escuta as melodias que exalam os alaúdes dos amantes:
são os verdadeiros salmos de David.
Não mergulhes no passado nem no futuro.
Que o teu pensamento não ultrapasse o momento presente.
Esse é o segredo da paz.


Omar Khayam, Rubayat


© Estampa (tradução de Fernando Castro)


(enviado por Amélia Pais )

Edgar Allan de Poe


"Os que sonham de dia sabem muitas coisas que escapam aos que sonham de noite"


Edgar Allan de Poe


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

história das palavras




As mulheres e os homens estavam espalhados pela Terra. Uns estavam maravilhados, outros tinham-se cansado. Os que estavam maravilhados abriam a boca, os que se tinham cansado também abriam a boca. Ambos abriam a boca.
Houve um homem sozinho que se pôs a espreitar esta diferença - havia pessoas maravilhadas e outras que estavam cansadas.
Depois ainda espreitou melhor: Todas as pessoas estavam maravilhadas, depois não sabiam aguentar-se maravilhadas e ficavam cansadas.
As pessoas estavam tristes ou alegres conforme a luz para cada um - mais luz, alegres - menos luz, tristes.
O homem sozinho ficou a pensar nesta diferença. Para não esquecer, fez uns sinais numa pedra.
Este homem sozinho era da minha raça - era um Egípcio!
Os sinais que ele gravou na pedra para medir a luz por dentro das pessoas, chamaram-se hieróglifos.
Mais tarde veio outro homem sozinho que tornou estes sinais ainda mais fáceis. Fez vinte e dois sinais que bastavam para todas as combinações que há ao Sol.
Este homem sozinho era da minha raça - era um Fenício.
Cada um dos vinte e dois sinais era uma letra. Cada combinação de letras uma palavra.
Todos dias faz anos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras.

José de Almada Negreiros

ode a fernando pessoa

ODE A FERNANDO PESSOA



Tu que tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Foste de verdade, não de feito, a voz de Portugal.
De verdade e de feito só não foste tu.
A Portugal, a voz vem-lhe sempre
depois da idade
e tu quiseste aceitar-lhe a voz com a idade
e aqui erraste tu,
não a tua voz de Portugal
não a idade que já era hoje.
Tu foste apenas o teu sonho de ser a voz
de Portugal
o teu sonho de ti
o teu sonho dos portugueses
só sonhado por ti.
Tu sonhaste a continuação do sonho português
somados todos os séculos de Portugal
somados todos os vários sonhos portugueses
tu sonhaste a decifração final
do sonho de Portugal
e a vida que desperta depois do sonho
a vida que o sonho predisse.
Tu tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
tu foste de verdade a voz de Portugal
e não foste tu!
Tu ficaste para depois
e Portugal também.
Tu levaste empunhada no teu sonho
a bandeira de Portugal
vertical
sem pender pra nenhum lado
o que não é dado pra portugueses.
Ninguém viu em ti, Fernando,
senão a pessoa que leva uma bandeira
e sem a justificação de ter havido festa.
Nesta nossa querida terra onde ninguém
a ninguém admira
e todos a determinados idolatram.
Foi substituído Portugal pelo nacionalismo
que é a maneira de acabar com os partidos
e de ficar talvez partido de Portugal!
mas não ainda talvez Portugal!



Portugal fica para depois
e os portugueses também
como tu.


José de Almada Negreiros
(ilha de s.Tomé, 1893-1970)






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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

BASTA!




Nas ruas envermelhadas
pelo sangue de tanta gente
andam vidas obrigadas
a ver a morte de frente.

É o sionismo em acção.
Nem olha a meios, pensando
que só pode ter razão
se mais gente for matando.

E a pobre Palestina,
que foi Terra Prometida,
em vez de Paz tem ruína
e uma guerra fratricida.

Porque quem foi perseguido
em tempos que já lá vão
prefere estar só, consigo,
a juntar-se ao Povo Irmão!

6 de Janeiro de 2009, Sérgio O. Sá


mais referências

de repente


na casa da minha infância ouço passos de anos
cá dentro espreitam as janelas as árvores e um balouço
a dar à corda com a tábua do assento
para lá e para cá
numa mingua qualquer de vento

não sei olhar senão por um olhar fundo de câmara lenta
sentindo o calor das sombras de hastes inseguras
sentindo as árvores folheando ao tempo

só o silêncio pressinto

nem um cão ladra não há passagem de ninguém
nem de outro bicho ou de outra gente

mas há uma fotografia que se completa tão longe
tão nítida na folhagem do arvoredo doce de descanso
chego a mim e não dou pelo meu rosto

inclinado para o passado com uma trégua com o movimento escrito
com os meus olhos perdidos no balouço
ainda ouço um grito um enorme grito de espanto
eu ando e vagueio por aí e estou distante


José Ribeiro Marto


José Ribeiro Marto