quinta-feira, 18 de março de 2010

Tentativa de Solidão





Por meus lados adormecidos, sempre atrás de uma claridade
desci até olhar-me frente a frente.
Escrevo as tristezas com minha velha flauta de sombras
enquanto nos copos de vinho bebo meus diversos rostos.
Sem chorar despojando-me de tantos estigmas mortais
aguardo a alma que fugitiva vem do seu passado
em busca de uma fonte adormecida para descer para a noite.
Quero estar sozinho em meu grande espectro, meus olhares desertos,
meus cantos doem-me porque não findam em seu próprio delírio,
mal reluzo neles, mal vou escorrendo
como o orvalho desce dos olhos das sombras.
Quero ser meu próprio testemunho, a realidade de meu signo,
mas, - que povoado imenso galopa, respira, sofre?
O peito de raiz perturbado está com substâncias alheias.
Vacila esta veia que entra à minha frente vinda do crepúsculo,
tão vasta como o passado de fogo de uma estrela,
deixa-me seus sinais de luz mas seu esconjuro não consegue
que esta fronte asile também nós malignos.
Ah, a alma volte a fugir com os pés gelados do susto,
no meu interior com cilício estou para devolver ao dia.



Humberto Díaz Casanueva

Tradução de José Bento

2 comentários:

ROGEL SAMUEL disse...

escrevi umas linhas sobre o seu magnífico livro, querida Azenha, mas espero continuar
beijos

maria azenha disse...

Obrigada, querido Rogel.

beijos,

mariah