sexta-feira, 16 de julho de 2010

O DESTINO DAS ROUPAS






No cesto da roupa suja
de qualquer quarto do mundo
uma mãe saberia reconhecê-las.


Suportaram as investidas do tempo,
as agressões do lixo,
os estragos do primeiro amor
os rasgos da primeira contenda,
as nódoas da fruta,
os espinhos da rosa,
a rosa do amor,

o vómito amargo de sábado à noite,
o sangue do amigo no carro desfeito.



© 2006, Rui Lage

De: Revólver
Ed.Quasi, V. N. Famalicão, 2006
ISBN: 989-552-221-5

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