sábado, 6 de setembro de 2008

poema XXII


há uma agitação sobre todas as coisas
penso na mulher que sai de casa ainda escuro
com a manhã escondida no avental
e vai pela beira dos campos acordar as águas

no orvalho das ervas escreve as marcas do seu passar

dentro do pensar revolvendo a manhã
– a libertação do fogo adormecido sob a terra -
a pedra abre-se no espaço,
como a mão quando se estende para cair
um lugar merecido para quem já caminhou muito
e só deseja ser abençoada antes de dormir


maria costa