sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Desfraldar


Uma noite, o oceano entrou em minha casa
Era
um velho respirando
como uma antiga locomotiva
Convidei-o a sentar-se
junto da janela
para que se recompusesse
e eu lesse em sua honra alguns poemas
Mas ele continuou de pé, ofegante
Ofereceu-me peixes
conchas
e partiu


De manhã examinei a minha casa. não havia telhado
nem porta nem janela
nem parede
tudo estava partido e molhado
Até eu, oh meu Deus
estava partido como um vaso
Já não tinha lábios para falar
braços para cingir o tronco de uma mulher
Do meu corpo só restava
uma flor saliente,
o meu coração no meio dos escombros


IUSUF ABDELAZIZ

Poeta Palestiniano


tradução de Albano Martins

2 comentários:

Jorge D. Miguel disse...

Imensamente belo.

Beijo

Jefferson Bessa disse...

Abertura de uma flor que o mar arrebatadamente abre. É a compreensão. Um texto forte, como o mar que invade o texto. Obrigado.

Bjs.
Jefferson