terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ano novo




Virás de manto realmente novo
Entre searas ardentes e mãos puras?
Poderemos enfim chamar-te novo,
Ano novo entre as tuas criaturas?

Deceparás enfim as mãos tiranas?
Será feita, enfim, nossa vontade?
Eu queria acreditar, vozes humanas,
Acreditar em ti, deus da verdade!

Como eu queria trazer-te a este mundo
(Mas onde te escondeste? Desde quando?)
Ó deus livre, sem espinhos, ó fecundo
Senhor do fogo alegre e não do pranto!

Ó ano novo, a minha esperança é cega.
Transforma em luz a nossa própria treva.


Alberto de Lacerda (1928-2007)


1 comentário:

partilha de silêncios disse...

Lindo poema. Aproveito para desejar um Novo Ano com Saúde e Paz.

Um beijo