quarta-feira, 18 de março de 2009

soneto





Rudes e breves as palavras pesam
mais do que as lajes ou a vida, tanto,
que levantar a torre do meu canto
é recriar o mundo pedra a pedra;
mina obscura e insondável, quis
acender-te o granito das estrelas
e nestes versos repetir com elas
o milagre das velhas pederneiras;
mas as pedras do fogo transformei-as
nas lousas cegas, áridas, da morte,
o dicionário que me coube em sorte
folheei-o ao rumor do sofrimento:
ó palavras de ferro, ainda sonho
dar-vos a leve têmpera do vento.





Carlos de Oliveira in
A Leve Têmpera do Vento,
Quasi

8 comentários:

ROGEL SAMUEL disse...

CLARICE DE OLIVEIRA MANDA UM BEIJO DE AGRADECIMENTO PARA VC PELA PUBLICAÇÃO DE SEUS POEMAS...

mariah disse...

Um grato reconhecimento a Clarice de oliveira.

mariah

Jefferson Bessa disse...

uma incessante transformação da vida que é palavra. Muito bom!

Carmo disse...

Muito bonito este soneto.
Obg por partilhá-lo

Carmo

Vieira Calado disse...

Por coincidência também tenho um soneto, em primeira página.

Cumprimentos

Desambientado disse...

Vim deichar um beijinho e dar-lhe os parabéns.

Desambientado disse...

Hoje, vim deixar votos de Boa Páscoa.

lupussignatus disse...

oliveira

de finas

e longas

raízes


(esquecido

pelo vento)