sábado, 27 de junho de 2009

o que o jardineiro disse a Mrs. traill



_ E agora é tão pobre a poesia que publicam.
Mas nos velhos tempos não era assim,
Pois outrora foi a linguagem da dor humana,
E, na língua dos anjos, a dessa causa
Pela qual arderam grandes almas, e os carvalhos floresceram.
Eu, que sou amigo dos amarantos, reconheço
Um bálsamo nesse nome, um bálsamo para estas praias.
Mas agora usam palavras difíceis para coisas simples,
Para as flores silvestres, e para as flores do lago.
Folha da alegria, estrela em chamas, são palavras que hoje
Pouco nos tocam, embora tenham sementes em forma de asa,
Se os pobres pecadores como eu falarem
Com Deus que humildemente pronuncia esses nomes com amor.



in "AS CANTINAS E OUTROS POEMAS DE ÁLCOOL E DO MAR",
Malcom Lowry
Selecção e tradução de José Agostinho Baptista


2 comentários:

adelaide amorim disse...

A linguagem muda com as ideias, o tipo de cultura, a mentalidade dominante em cada época. Mas há formas que, mesmo em desuso, são de uma beleza intemporal.
Beijo e boa semana, Mariah.

Jefferson Bessa disse...

a simplicidade de uma palavra em suas várias possibilidades de escrevê-la.

Um abraço.
Jefferson.