segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

FINALMENTE



Demorou...
mas agora sei que sou
vidoeiro e elefante,
couve-flor e cotovia,
carvão, terra e borboleta,
eucalipto e pantera,
cebolinho e peneireiro,
granito e libelinha,
acácia e cavalgadura,
pojo, cardo e andorinha,
pedra mármore e formiga,
palmeira e rinoceronte,
mocho, papoila, urubu, ...
até sou o horizonte!

Demorou...
mas agora sei que sou...
que sou vento,
sol e chuva
e excremento,
ar,
montanha e mar.
Sou tudo o que já acabou,
tudo o que há-de começar.
Agora sei o que sou,
finalmente.

Pobre de quem é só gente!



Sérgio O.Sá
In: "Diário de um Marginal"
Dezembro de 2005

2 comentários:

Victor Oliveira Mateus disse...

Não costumo gostar das enumerações
muito extensas em poesia, mas neste
poema... resultou de forma soberba.
O final é de mestre! Bom post!

Maria Toscano disse...

subscrevo o que o VOM escreveu
.
Agradeço à Poeta esta divulgação.
.
Pungente! Belo!
.
Abraço.
.
regresso ao Grande Silêncio.
:-)
.
mt