sábado, 25 de abril de 2009

antes do nome


Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero o esplêndido de onde emerge a sintaxe,os sítios escuros onde nasce o "de",
o "aliás",o "o" o "porém", e o "que", esta incompreensível muleta que me apóia.
Quem entender a língua entende Deus cujo filho é o verbo.
Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça,infrequentíssimos, se poderá apanhá-la:
um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.



Adélia Prado

2 comentários:

diamante d'água disse...

Adelia Prado é incisiva
e bela.

adelaide amorim disse...

Adélia mora em meu coração desde o primeiro texto. Beijos, querida.