domingo, 6 de julho de 2008

o fim do mundo


No fim do mundo melancólico
os homens lêem jornais.
Homens indiferentes a comer laranjas
que ardem como o sol.


Me deram uma maçã para lembrar
a morte. Sei que as cidades telegrafam
pedindo querosene. O véu que olhei voar
caiu no deserto.


O poema final ninguém escreverá
desse mundo particular de doze horas.
Em vez de juízo final a mim me preocupa
o sonho final.



in "O Engenheiro" de João Cabral de Melo Neto
( enviado por Adelaide Amorim)

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